
Entrementes
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#85 | Ansiedade infantil
Pais e mães de crianças ficam loucos nesse intervalo de fim e começo de ano. As férias são aquele período em que a ansiedade infantil chega gritando. Muito tempo livre para ser preenchido e uma energia difícil de acompanhar.
Por ainda haver limitações no autoconhecimento e nas ferramentas para se expressar, crianças podem manifestar ansiedade de diversas maneiras. Neste episódio, vamos conhecer os sinais, o que fazer nesses casos e como identificar um quadro que pode requerer ajuda profissional.
Nossa conversa é com Naiara Morais Meira, psicóloga, psicopedagoga, especialista em análise do comportamento e supervisora clínica no atendimento de crianças e adolescentes. Ela está se especializando em neuropsicologia, com formação em reabilitação cognitiva pelo @ipq.hcfmusp, e é coordenadora da Clínica Multidisciplinar Infantil @calmyclinica.
Você pode segui-la no Instagram pelo @psicoparacrianca
Aparte: Adélia Prado no Roda Viva
Produção: Baioque Conteúdo
Roteiro e apresentação: Luiz Fujita Jr
Coordenação geral: Tainã Damião
Redes: Tainah Medeiros
Edição: Amanda Hatzyrah
Trilha sonora: Paulo Garfunkel
Instagram: @entrementespodcast
YouTube: @entrementespodcast
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Olá, sejam bem vindos ao Entrementes, nosso podcast de saúde mental contra o estigma. Eu sou o Luiz Fujita e eu acho muito propício que o episódio de fevereiro seja esse. Ansiedade infantil, né? Quem tem criança em casa deve estar por agora dando graças a Deus que as aulas estão voltando, porque criança tem uma energia. Muito maior que nós, adultos, eu, pelo menos essa é a minha experiência, né? Então a demanda é muito grande. Eu não tenho filhos, mas eu conheço bem essa demanda porque eu tenho um amigo de 7 anos com quem eu convivo muito e ele é altamente energizado e é muito difícil acompanhar, né? Sendo já um adulto, no episódio de hoje, o nosso interesse é descobrir se no meio dessa energia, né, que é natural da idade e da personalidade de cada criança, não pode ter também alguma coisinha de ansiedade, né? Então, então, quem nos ajuda nessa missão é a Naiara Morais Meira, que é psicóloga, psicopedagoga, especialista em análise do comportamento e supervisora clínica no atendimento de crianças e adolescentes. Ela agora está se especializando em neuropsicologia, com formação e reabilitação cognitiva pelo Instituto de Psiquiatria da USP e é coordenadora da da clínica multidisciplinar infantil Calmy. Muito obrigado pela presença, Naiara. Eu que agradeço, Luiz, é um prazer imenso estar aqui. Né? Eu já acompanhava o podcast como ouvinte, então agora participar de fato é um prazer imenso. Muito obrigada. Muito obrigado. Vamos lá então para nossa conversa. Naiara, pra começar é queria falar um pouquinho de ansiedade de forma geral, antes de entrar na parte da ansiedade infantil, que é o tema do nosso episódio, né? Ansiedade é um termo bastante conhecido, né? Sai toda hora notícia de que o Brasil é campeão e ansiedade. Com as redes sociais, a saúde mental começou a ser mais divulgada. Então é um termo que é mais ou menos familiar, mas a gente pode ter aquela ideia um pouco equivocada em alguns pontos. Então queria que você colocasse todos os ouvintes na mesma página e definisse pra gente, né? Quando a gente estava falando de ansiedade. O que é esse termo? Perfeito, Luiz, eu acho que a gente pode começar falando que a ansiedade ela não é uma vilã. Né, ela existe, é na nossa vida com uma função, né? Então, o que que é a ansiedade? O que que é o sentimento de ansiedade? Ele é um ela é uma resposta emocional, né? Então é uma resposta emocional que acontece diante de situações percebidas como ameaçadoras ou desafiadoras. Então veja, ela já é diferente do medo. Porque o medo, para a gente sentir medo é diante de uma, de um objeto, de um estímulo presente, né? Presente perto do do indivíduo. Já a ansiedade, ela está muito voltada à preocupação, né? A situações que a gente percebe. E aí no campo da imaginação, como ameaçadora, desafiadora, que possa colocar a gente, de certa forma, em risco. Perfeito e agora só mais uma questãozinha antes da gente entrar. Conversa de fato que eu acho importante, né? Quando a gente fala em ansiedade, né? Nesses termos que a gente tá falando nos adultos em geral, a gente se interessa mais por falar na ansiedade como transtorno, né? Porque aí é algo que a gente imagina que mereça tratamento, aprender a identificar para ver se a gente vai deve ir atrás de alguma assistência profissional, né? No caso do que a gente vai conversar aqui, que é a ansiedade infantil, você acha que a gente deveria falar? Também desse dessa forma é como ansiedade diagnosticada, né? Como um transtorno. Ou nesse caso, como pode ter uma dificuldade ali para ligar, lidar, porque, sei lá, a criança ainda não tem aquela forma de se expressar plena. A gente é mais útil a gente falar da ansiedade, mesmo que não seja assim do dsm ali. Mas como é infantil, vale a gente falar da ansiedade, mesmo que seja aquela, digamos, natural entre aspas, né? Perfeito, Luiz. Então eu acho que a gente pode até trazer a função da ansiedade, né? Porque que ela existe, né? Além de ser uma resposta emocional, ela prepara o nosso corpo, né? Pra justamente possíveis ameaças, né? E como que é essa preparação? Essa preparação? Ela se traduz em sintomas físicos, né? Né, de taquicardia, né, tremor, o coração palpitando, sudorese, né. E aonde que a gente vê se essa ansiedade ela é saudável para o indivíduo ou não, né? Ela tá ali, é passando de um nível saudável em termos de de de sintomas. O importante para a gente considerar é a ansiedade, ela é saudável em um certo ponto. Então, por exemplo, para eu realizar esse episódio aqui com você, eu estava ansiosa, né? Então o que que fez eu, eu, eu fazer diante da ansiedade? A ansiedade me ajudou, por exemplo, a estudar mais sobre o tema antes dessa nossa conversa, buscar outros profissionais que já tenha conversado sobre o tema, estratégias que eu realizo aqui com as crianças. Então, resgatar tudo isso a ansiedade me fez para é fazer esse episódio com você. Aonde que ela passa dos limites? E a gente começa a considerar ali um quadro patológico, quando impacta a funcionalidade da criança e do adolescente, né? Então veja AI no dia seguinte, né? No outro dia a criança vai ter o seu primeiro dia de aula. Se é uma ansiedade do tipo AI ela abriu a mochila, ela viu os cadernos que a mamãe comprou, ela está contando quantos lápis de cor ela vai usar e cola adesivo e fecha a bolsa. Mas mesmo com esse comportamento, ela consegue ter um sono tranquilo, se alimentar de maneira tranquila, deixar a mochila ali da escola e brincar com seu irmão e brincar com com seus brinquedos. A gente pode considerar que é uma ansiedade saudável e adaptativa, que ela está se preparando para o dia seguinte, que vai ser uma novidade. Como você aqui por episódio, né? Exatamente. Agora, qual seria? Um quadro é de ansiedade que aí a gente pode pode considerar patológico. Então, diante da da da situação, né, aula no dia seguinte, a criança ela não consegue dormir, né? Então ela fica inquieta. Ela tem sintomas físicos, como dor na barriga, dor de cabeça, queixa de vômito. Algumas crianças têm até episódios de febre. Né? Ela não consegue brincar, então ela não consegue exercer a sua funcionalidade, né? A sua ocupação enquanto criança. Então, nesse segundo cenário, a gente pode considerar que a ansiedade, ela está tomando ali um nível de intensidade maior do que a normalidade. E existem formas de se manifestar. Naiara, que essas que você falou, embora a gente possa agora estar aprendendo a identificar uma ansiedade. É, essas parecem ser algo que realmente estão afetando demais uma criança, né? Você fala, nossa, tem alguma coisa errada aí. Existem coisas talvez mais sutis que também podem aparecer. Eu tenho essa esse meu amigo de 7 anos que eu falei, a gente até brinca, né, com com ele falando, olha, acho que isso, isso, isso, você tem uma ansiedade e eu não sei se é, mas o que ele faz às vezes é, ele realmente tem essa energia muito grande. Só que quando a gente está em época de trabalho e ele está em férias, ele fica meio entediado às vezes, né? Porque teria que ocupar. Todas as horas do dia. E a gente não pode aqui em casa sempre dar aquela atenção, né? E aí, já já jogou bola, já fez quebra cabeça, enfim, já fez tudo, né? E aí eu isso a gente lê como um sinal de ansiedade particular dele, que ele, ele come, ele vai na geladeira, às vezes dá uma olhada aí, às vezes pega alguma coisa aí, pega uma frutinha, aí, depois vai e pega uma uva passa. Luiz, quero comer, estou com fome. Luiz, me dá comida. Lu, me dá comida agora. Luiz, me dá uma fruta. Luiz, quero almoçar! Existem essas outras formas que podem ser particulares e não são tão assim vômito ou dificuldade para dormir, coisas que você falou que até são mais claras para a gente de que é um problema, mas que podem significar algum tipo de ansiedadezinha. Perfeito Luiz. A gente considera quadros ansiosos pelo que a criança apresenta em comportamento, né? A gente que trabalha na infância. Na adolescência, a gente brinca que a linguagem da criança é o comportamento. O adulto consegue elaborar, né? Ele consegue descrever para gente o que que, quais são, as preocupações que passam na cabeça dele, quais são os sintomas físicos. A criança, ela vai se mostrar para gente em termos de comportamento, né? Então é alguns comportamentos que a criança pode demonstrar, né? Em ambiente de casa, da escola e outros ambientes que ela possa frequentar. Liberamente é uma preocupação excessiva, né? Então se preocupar muito com coisas do cotidiano, então quando que a mamãe vai voltar, que horas são aonde a gente vai depois, o que que a gente vai fazer amanhã, né? Eu até brinco que aquela criança que faz muita pergunta, né? Então, quando, o que, o que, o que? Quando a gente percebe uma criança que faz muita pergunta, a gente pode ter um olhar mais atento se tem um quadro ali de de ansiedade. Um outro sintoma também, que mostra que é um indicativo, né, de um quadro de ansiedade é a evitação, né? Então, a criança, ela evita ir a alguns lugares, ela evita ir se expor em algumas situações, né? A justamente por se sentir. É ansiosa, né? Antes da situação e na situação, sentir medo e insegurança. Né? Então é muito comum, por exemplo, essa evitação no contexto de escola, né? Então a criança não quer ir pra escola ou até mesmo em atividades sociais, né? Então, recreação, um momento ali com os pares, um outro sintoma também em termos de comportamentos, são medos irreais, né? Então são medos específicos, né? Né, como aí o medo de uma iguana, um medo bem específico, um medo de lugares é fechado, específico, então eu tenho medo do elevador, né? Eu tenho medo, por exemplo, de andar de ônibus, né? Então são medos irracionais que aí novamente se traduz para nós em termos de comportamento, mas com certeza tem toda uma elaboração ali, cognitiva. Um outro ponto também que eu acho que você trouxe Luiz, é em relação aos comportamentos compulsivos, né? Então, quando a gente percebe que uma criança está em um quadro de ansiedade, a gente observa comportamentos compulsivos, né? Uma compulsão, né? Então seja em relação ao ao alimento, então buscar sempre se alimentar. Pode ser traduzido também em rituais, né? Então a criança arruma o quarto dela, né, 3 vezes ao dia, 4 vezes ao dia. Então veja o erro, não está em arrumar o quarto, mas está em arrumar o quarto muitas vezes ao dia desnecessariamente, né? Então todos esses movimentos de compulsão, nós psicólogos, falamos que é um movimento compensatório de um quadro de ansiedade, né? E acho que é o mais comum. É sintomas físicos, né? Então, tensão muscular, dor de cabeça, queixa de vômito, falta de apetite ou vontade de comer. Então esses esses pontos em em termos comportamentais, né? São comuns em quadros de ansiedade, que pode indicar um quadro de ansiedade de fato. Ou a gente precisa ali observar mais outros comportamentos para a gente buscar 11 ajuda. Perfeito é esse esse meu amigo que eu falei, é o meu enteado, né? E ele tem esse. Agora que você falou eu também já reconheci, é essa de perguntar muito também tem, né? A gente estava viajando agora e aí quando ele percebe que aquele passeio tá chegando ao fim, ele falou, agora a gente vai voltar para casa ou vai ter outro, né? Quando ele chegar em casa, a gente já vai jantar ou a gente vai poder fabricar, sabe? É um pouco já pensando naquele no futuro ali, né? E é uma falsa sensação de controle, né? Então, o que que faz uma ansiedade aumentar? Tá, é a sensação de não ter controle sobre as coisas, né? A gente vai falar um pouquinho mais para frente, mas também tem é tá diretamente ligada a habilidade de resolução de problemas, né? Se eu não sei o que vai acontecer, eu não sei o que vamos esperar de mim, eu não sei como que eu vou me comportar. Então eu preciso saber de todo o script ali, do dia, da semana, do mês, para que eu me organize mentalmente e eu possa me ajustar aos poucos, né? Né? Então está muito ligada a questão de resolução de problemas também. E isso que você falou, Nayara, que você mencionou vários tipos de sintomas, né? Vários tipos de comportamentos, né, que podem ser uma manifestação de uma ansiedade. E isso se divide em tipos, né? Tem alguma coisa assim em tipos de ansiedade infantil? Tem, tem. E olha, eu vou até citar nossa bíblia aqui, nós psicólogos, a gente tem um manual, que é um livro gigantesco. Ele se chama DSM 5, né, que é um manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais, né? Então tem um capítulo ali só de ansiedade. Ele traz para gente tipos de ansiedade, mas eu vou trazer aqui tipos comuns. É que a gente percebe, a gente é recebe aqui no consultório, é em relação à infância e à adolescência. Então nós temos um mutismo seletivo que ele é pouco falado, né? Mas geralmente ele acontece pós situações traumáticas, os quais evocam um nível de ansiedade muito intensa. Né? Então o que que é o mutismo seletivo? É uma incapacidade da pessoa, da criança. É no caso de falar em em certas situações sociais. Então é aquela criança, por exemplo, que em casa ela conversa, ela conversa com o pai, ela conversa com a mãe, com com o irmão, ela brinca. Só que ao mudar ela de ambiente, então pra ir pra padaria, pra ir no parquinho. Então ela se fecha, então é aquela timidez que ultrapassa uma timidez de Ah, eu estou com vergonha. É uma situação nova. De fato, ela ela deixa de se comunicar em situações específicas, já em ambientes mais confortáveis, mais previsíveis, e aí, novamente a previsibilidade, ela consegue se comunicar. Temos também uma famosa, inclusive em casos de adulto, né? Que é a TAG, que é o transtorno de ansiedade generalizada. Ela é considerada um quadro de ansiedade muito vinculada a uma preocupação excessiva, né? Então é preocupação com a escola, é preocupação com a mamãe, é preocupação com o papai, é preocupação com o trabalho do papai, é preocupação com o brinquedo que eu deixei no quarto. Então, são várias caixinhas abertas na cabeça da criança que todas essas caixinhas estão abertas. Ela não consegue se concentrar no momento presente, né? E aí onde, onde a gente percebe o impacto na funcionalidade da criança? Porque, veja, se ela está na escola com todas essas caixinhas de preocupações abertas na cabeça, muito provavelmente ela vai desempenhar ali de maneira não tão boa o seu ambiente escolar. Então, a tag é o transtorno de ansiedade generalizada. Ela é considerada um quadro de preocupação excessiva, né? E ela controla várias áreas da vida, como eu disse. Então, várias preocupações em diferentes áreas da vida em conjunto com sintomas físicos. Dor, fadiga, uma atenção, é vômito, outros quadros aí físicos de de ansiedade. E tem também outros quadros, né, que estão, por exemplo, transtorno de ansiedade social, né? O social tem disposição em relação ao grupo de pessoas, então é um medo intenso. De situações sociais os quais a criança pode se sentir envergonhada é que ela pode ser alvo de julgamento dos outros e que, de alguma forma, a exposição social dela possa ser julgada a partir do desempenho. Então é muito comum, por exemplo, crianças que vão se apresentar numa escola, né? Que não vai porque vai, vai achar que não vai conseguir. Ou que as pessoas vão dar risada da forma que ela se apresenta. E é apenas em situações sociais que precisa dessa exposição para outras crianças. Temos também o transtorno do pânico, né? Esse é o que eu falo. Mesmo em crianças. Mesmo em crianças, exatamente. Transtorno do Pânico eu costumo falar que todo transtorno do pânico tem uma crise de ansiedade. Mas nem toda crise de ansiedade tem um episódio de transtorno do pânico. O que que é isso? Quer dizer o Transtorno do Pânico? Ele é um episódio muito, muito intenso. É um medo assim, muito intenso e desconfortável, que acontece de maneira inesperada. Então a criança tá seguindo a rotina dela ali, normal, ela sabe o que que ela tá fazendo, o que que ela vai fazer depois. Então tem uma organização de rotina, uma previsibilidade, só que ela tem um medo intenso. E novamente, como que esse medo é traduzido com sintomas físicos de palpitação? Falta de ar, né? Choro é crise de vômitos, mas o que que ela o que que esse transtorno é do pânico se diferencia dos outros quadros, né? De da SM, ele é, de repente, ele é inesperado, então a criança tá ali numa rotina normal, tá tudo bem, nada aconteceu. E ela tem esse esse episódio então. Que é um episódio tão intenso, que é um acúmulo de crime, de crises de ansiedade, que gera esse episódio aí de transtorno do pânico. E aí nós entramos nas fobias específicas, né? E aí tratando se de. Envolvimento infantil, dependendo da faixa etária. Então, ali, primeira infância, segunda infância, é comum criança ter medos específicos com medo de monstros. Medos de bambi, o medo de barata, né? É comum. O que que a gente diferencia? Se é um quadro patológico ou não? Ao passar da idade, né? Então a criança vai crescendo, vai evoluindo. A tendência que esse medo vai embora, justamente porque vai desenvolvendo também a capacidade dela de elaborar esses, esse essa imaginação, né? Diferenciar isso é apenas um desenho, isso não existe. Também vai desenvolver a capacidade dela de enfrentar, né? Esses mitos de propor resoluções, né? Né? Mas um quadro de fobi é específica. Ela tá muito relacionada a um medo irracional, né? Então desproporcional, né? Então, por exemplo, há um tempo atrás eu atendi 11 criança que ela tinha medo de barata gigante, barata gigante do tamanho dela. Então o medo irracional, porque não existe de fato uma barata do tamanho dela. E o último Luiz, que eu acho que é o mais famoso em em quando a gente tá falando na infância e no na adolescência. Que é o transtorno de ansiedade de separação, né? Então a gente falou bastante da questão escolar e no ambiente escolar isso acontece muito, muito, muito. Então o que que é isso? É o transtorno de ansiedade de separação. É um medo excessivo novamente, medo, preocupação, né, com AA separação de figuras de apego, né? Então é é a criança não conseguir suportar, tolerar. Que a mãe vai deixá la na escola, que o pai vai trabalhar e vai deixá la em casa, né? E veja, é sintomas, né? De de um transtorno de ansiedade e separação, né? Crianças que não tratam transtorno de ansiedade de separação apresentam sintomas na vida adulta, né? Né? O que a gente conhece hoje em dia por dependência emocional, né? Aquela pessoa que ela não tolera, por exemplo, ficar 3 horas sem falar com marido como a esposa. Então, quando a gente vai investigar, muito provavelmente ela tinha um quadro aí de transtorno de ansiedade de separação na infância ou na adolescência que não foi tratado. Essa ansiedade de separação a gente conhece, né? Aquela imagem da das crianças que estão entrando na escola hoje em dia. Acho que até tem umas uns períodos ali de. Meio que adaptação, que, sei lá, os pais deixam um pouquinho de tempo ou ficam junto. Enfim, tem ali alguma metodologia para dar uma amenizada nisso. Mas quando existe essa ansiedade de separação, essa fase passa, digamos, de adaptação. É AA criança fica funcional, digamos, faz a escola. Mas a ansiedade de separação ainda existe. Existe se é um quadro de ansiedade, de ansiedade, né, normal, né? Então a criança se sente ansiosa, ela sente que ela não é capaz de dar conta de um de 1 hora na escola com uma professora nova, com alunos novos, né? Então, por isso que é pensado essa adaptação escolar, geralmente com escolas que abraçam crianças, né, que tem crianças. Com a idade ali de 45 aninhos, a criança fica até no período mais curto, inicialmente, que é para ela ir fazendo esse ajustamento ambiental. As mães ficam em outra sala. Caso a criança precise, né? É ter essa confiança de saber que a mãe está numa sala ao lado, né? Mas como que a gente diferencia justamente se essa fase passa ou não? Então, poxa, as aulas começaram em janeiro, em fevereiro é setembro e a criança ainda não se adaptou. Ela ainda chora, apresenta sintomas físicos de ansiedade, quando a mãe se é, se despede dela na escola, quando o pai a deixa na escola, quando a babá deixa ela na escola, o tio, a tia. Então sempre figuras de apego, figuras ali que sinalizam para ela uma segurança. Mas é possível que ela fique. Passa esse período que você falou, né? E ela tem ainda ansiedade de separação, mas não não fique tão claro como assim chorar. Mas ela ainda tenha. É possível. Tem casos mais sutis. Com certeza que aí a gente vai perceber aonde no desempenho escolar, né? Então uma criança que ela até fica na escola, mas a cabecinha dela tá lá em casa, a cabecinha dela tá pensando se o papai já chegou do trabalho. Né? Então, geralmente os os professores, né, que que percebem essas sutilezas, porque, novamente, criancinha pequenininha, os sintomas são mais evidentes, né? Quanto mais a criança cresce, fica um pouco mais sutil e aí vem para gente através da linguagem. São essas perguntas, né? Ou, por exemplo, cadê a mamãe? E também são sintomas que a gente fala de pensamentos acelerados, né? A criança não consegue aproveitar aqui o momento da atividade da escola. O que Oo professor está propondo? Porque está pensando aonde que está AA figura ali de de afeto? Naiara, você é 11, pessoa muito jovem, né? Aí eu não sei se você chegou assim na vida profissional, a pegar uma sociedade que não tinha telas, que não tinha internet, esse tipo de coisa. Mas eu queria saber assim, esse modo de vida contemporâneo nosso com isso, né? Com internet, com vida muito rápida, tela de celular, tela de desenho, et cetera. É ou mesmo as coisas que a gente ouve falar hoje em dia, as pessoas são menos tolerantes a frustrações, et cetera? Esse quadro, né? Esse cenário da sociedade atual todo agrava de alguma forma a possibilidade, né, de ter 11 ansiedade na infância. Com toda a certeza, Luiz, eu até comemorei aí com essa novidade de que a partir deste ano está proibido o uso de celular, né? De de eletrônicos, aí dentro do ambiente escolar. Então, eu, enquanto profissional, eu acho uma medida saudável, né? Para o desenvolvimento infantil como um todo, para as famílias, para nossa sociedade aí. Mas sim, com certeza eu acompanhei essa essa chegada da da da da internet, né? Na minha época era internet de escada, não tinha tanto acesso quanto hoje em dia, mas de fato, eu, a internet e outros elementos auxiliam no agravamento de quadros de ansiedade. Então, por exemplo, o uso de telas, né? Né? Crianças de 56 anos, já com celulares, né? Já com fácil acesso ali ao mundo virtual. Porque que eu falo mundo virtual? Porque dependendo da idade da criança que tem acesso a esse mundo virtual, ela não sabe diferenciar o que que é o virtual, o que que é a realidade, né? Pensando que ela tá em desenvolvimento ainda. Então poxa, porque que no joguinho aqui eu consigo? Pegar um carro na rua E sair na realidade não, né? Por que que eu consigo aqui ter várias coisinhas legais instantâneas? Porque é só arrastar para cima para ter várias novidades e dar risada. E a vida real é tão chata, tão monótona, né? Então essa essa discrepância entre uma vida rápida, tecnológica e uma vida devagar, onde as coisas precisam da escolha dos outros, que é a vida real, com certeza. Agrava um quadro de ansiedade porque a criança fica preocupada, né? Então, poxa, é aqui Na Na no, no mundo virtual acontece muito rápido, mas na vida real, não. Eu preciso esperar a resposta do meu pai, eu preciso esperar o resultado de uma prova. E aí esse intervalo entre esperar AAA resposta de uma prova, da brechas para pensamentos preocupações, que aí é onde vem os sintomas de ansiedade. Além do uso, né? De internet, de celular, enfim. Eu acho que um ponto muito importante, Luiz, a questão da pressão social, né? Uma exposição constante a padrões de beleza e reais. E aí a gente traz aqui os nossos adolescentes, cada vez mais novos. Eles estão buscando ali 11 estilo de vida adulto. Então é raro a gente ver um adolescente sendo adolescente, né? Se descobrindo ali, tendo seus conflitos. Muitos adolescentes estão se espelhando em adultos que tem essa figura, né? Mais mais de de de adolescente, de beleza, de modo de vida. E isso agrava também ou pode levar a um quadro de de ansiedade, justamente por um viés de aceitação? Então eu preciso ser aceito, então eu preciso ser igual a esse, esse, esse. É personagem, essa figura que eu sigo e aí essa luta constante, né? Principalmente em em na faixa etária aí da adolescência e também, né. Eu acho que é até uma consequência disso, dessa esse uso, né, dessa pressão social, as distorções cognitivas, né? Então, poxa vida, por que que ele tem uma vida desse jeito e eu não o porquê que. Aquele aquele quadradinho que a pessoa que o influencer mostra. Por que que minha vida não é assim? E aí começa todo 11. Indignação que pode ser resultado em um quadro aí de de ansiedade, com certeza. Agora, Naiara entrando no bloco final, já da nossa entrevista, que é o que todo mundo espera, eu acho, né? Bom, pais e mães ouvindo, né? A gente sempre imagina que esses são os ouvintes que a gente quer atingir com esse episódio. E aí ok, né? Aprendi um pouco mais a identificar se é o caso, se existem manifestações ali do meu filho que podem significar, né, uma ansiedade é que você tem algumas dicas, né, o que que é possível fazer? Você tem 111 que me chamou atenção, que você falou é aquela, é esse mecanismo, né, que explica muito que é Ah, eu preciso saber o que vai acontecer pra eu planejar e saber me portar, né? Isso gera aquela ansiedade, como eu falei, né, Oo meu enteado tem né, bastante isso. E a gente fica nessa dúvida, né, que que a gente faz? Nesse caso, a gente sempre cede e passa o cronograma mesmo para aplacar aquela ansiedade. Talvez não, né? Eu uso aquilo de alguma outra forma para justamente até meio que começar a trabalhar aquela ansiedade, né? Enfim, sendo criança, a gente não sabe muito bem o que que é adequado ou não, já para aquela idade dizer, né? O que que você pode fazer para ajudar esses pais e mães? E padrastos madrastas, né, como eu? Luiz, eu acho que é uma dica ouro. Criança não funciona como adulto, né? Então, nós, adultos, a nossa capacidade de elaboração, de diferenciar, se é um apenas um pensamento ali que a gente tá tendo. Uma pouca é validade na realidade ou de fato um pensamento que tem muita essa capacidade, esse jogo cognitivo. Adultos conseguem, crianças não. Então, crianças, elas vão precisar de recursos tangíveis, de recursos visuais, previsibilidade. Então o primeiro ponto assim é esse mantra para famílias, para pais, cuidadores, que a criança funciona de uma maneira totalmente diferente, ela está em desenvolvimento. Né? Outra dica, né, a escuta ativa, né? Então escutem e observem a criança escutar, porque a gente falou, né? Dessas perguntas constantes, mas também observam, é uma criança que rói muitas unhas, é uma criança que é tá chegando perto do final de semana, ela começa com desconforto na barriga, então observem sinais. Né? EE realizem, escutem, escuta ativa, né? Perguntam o que que tá preocupando, o que que tá na cabecinha, o que que tá deixando com medo, né? O desenho ali, a gente, nós psicólogos infantis, a gente utiliza muito, mas é 111 mediador muito bom pra pra compreensão e pra criança se fazer escutada, né? Outro ponto é um ambiente seguro e previsível, rotina, uma organização. A gente quando a gente tá, não sabe, por exemplo, o que que eu vou fazer no dia, o que que eu vou almoçar, que horas que eu tenho um compromisso. A gente fica bagunçado e o nosso corpo fica agitado, né? Então, o melhor antídoto para 11 quadro de ansiedade é a rotina, seja ela visual. E aí tem quadrinhos na lousa, na lousa em geladeira, que eu adoro, né? Justamente para dar essa previsibilidade mais tangível para para criança. O outro ponto também é evitar uma sobrecarga, né? Então, o que que nós vemos hoje além desse mundo de tecnologia? Crianças com agenda de executivo.
Então, acorda às 5:00 da manhã, 6 horas tem isso, 7 horas tem isso, vai para escola, aí chega, tem natação, aí tem judô, aí tem vai dormir 10 horas da noite. Aonde essa criança tem espaço para ser criança, para curtir o ócio? Para sentir o ócio? Às vezes, os pais até adotam essa agenda muito cheia para aliviar a ansiedade, mas na verdade está causando mais, porque na ausência dessas tarefas, a criança não sabe lidar com o ócio. Então, criança precisa ser criança. Claro, ter compromissos que ajudam no desenvolvimento, mas também ter momentos ali de intervalo para ela aproveitar e fazer uso da sua criatividade. Eu acho que é a última dica, né? E aí para nós, adultos também serve, que é um bom sono, alimentação e exercícios práticas de atividade física, que a gente sabe que a ansiedade está muito ligada a sintomas físicos, né? Que precisa ser olhado também em no aspecto fisiológico, né? A gente preparar o nosso corpo com alimentação, sono e práticas de atividade física para melhor organização aí do nosso sistema. Naiara, é adequado conversar com a criança, inclusive falando e colocando na mesa a ansiedade em si, explicando isso que você tá falando é, eu digo isso porque esse meu enteado, os pais, né? Sempre consideram a criança deles muito inteligente e tal. Mas eu realmente acho ele bastante esperto e me parece que é adequado falar assim mesmo, sabe? Então, às vezes, quando ele. Quando ele vem com essa coisa que eu falo assim de percebi que tem aquele intervalo que ele tá meio sem saber o que fazer, vou abrir a geladeira, né? E aí a gente fala, né, a gente fala, olha, será que é essa fome aí? Será que não é a sua ansiedade não, né? Ou é fome mesmo? A ansiedade é falar, é dita claramente, faz parte da conversa, né? Isso é adequado ou você acha que não? Ainda não é o caso por ser criança, né? Com certeza é o Luiz. Eu até brinco que educação emocional tem que ser ensinada desde quando o bebê nasce, né? Então o bebê começa a chorar, você fala, você está chorando, você está com raiva? Claro, ele não vai compreender, mas ao passo que você já vai adotando essa conduta com a criança, ela já vai internalizando que determinados conjuntos de sintomas é aquele. Era aquela, aquela emoção, né? Né? É aquele sentimento. Então com certeza é 11 boa estratégia dar nome aos bois, né? Então nós aqui da da psicologia, a gente foi presenteado com um filme Divertida-mente. Né? Para a gente, de maneira tão lúdica e tão divertida, coisas complexas, né? Né? Então aproveitem o filme, né? Brinquem com os personagens, inclusive eu tenho uma cena favorita, que é quando a Alegria está tentando botar ordem ali e a ansiedade vai tentar ali dar o jeitinho dela. E aí ela fala assim, ansiedade, dá um tempinho, vai ali tomar o chá, senta aqui na poltrona, relaxa, não é o seu momento agora, então veja, não é o momento da ansiedade naquele momento, ela não vai ser funcional e útil. Ela vai ter a sua funcionalidade em outros momentos, mas naquele não, né? Então é um excelente recurso para ensinar para as crianças. Olha, eu acho que o que você está sentindo aí é a ansiedade, indo lá do Painel de controle e tentar controlar tudo. E aí aos poucos. Trazendo dessa maneira mais lúdica essa psicoeducação sobre sentimentos estados de humor, acho assim Oo Divertida-mente um presente para todo mundo que cuida dessa parte de desenvolvimento infantil. Sim, nossa, é muito bom, né? Foi, foi muito sucesso e é merecido, porque é muito legal, né? É perfeito. E Naiara, para finalizar a nossa conversa, né? Eu sempre peço para tentar assim. Responder da forma que for possível, porque terapia é um processo tão longo, não necessariamente, mas geralmente ele é muito complexo, envolve tempo, envolve 1000, particularidades do paciente, envolve a técnica, a abordagem que cada profissional usa. Mas tem como você falar um pouquinho sobre como é uma terapia para ansiedade em criança, né? Eu estou vendo aqui, quem estiver vendo pelo YouTube, vai ver que eu estou vendo, tem um senhor batata ali, tem bonecos, né, e tal. Então talvez tem uma coisa um pouco diferente da terapia para adultos. Mas quando uma criança é encaminhada para um para um tratamento profissional, né, por conta de ansiedade, como que é, né? Que que se faz? É Luiz. O que a gente fala, a psicologia é a mesma, né? O estudo do da do comportamento humano é o mesmo. O que que a gente vai fazer é traduzir a partir da compreensão daquele indivíduo. Então, em em quadros de ansiedade ATCC, que é a terapia cognitiva comportamental. Ela é um padrão ouro no tratamento de ansiedade infantil e Na Na adolescência, né? E porque que ela é 111 padrão ouro? E como que ela se traduz num ambiente clínico? Ela Visa 3 principais é alvos em casos, né? E quadros de ansiedade. Primeiro, ela vai intervir em aspectos cognitivos, ou seja, mediar ali com a criança, né? É coletar ali com a criança, e esse coletar não é por discurso, né, como é numa psicoterapia de adultos, mas é através de uma brincadeira, de um desenho, de uma criação, de um projetinho, né? Então a gente vai é educando essa criança que dentro da nossa cabeça acontece, passam vários cenários, né? E então é AATCC, né, a terapia. A via cognitiva comportar comportamental, agindo nesse campo cognitivo. O que que ela vai intervir na identificação de pensamentos disfuncionais. Ou seja, o que que o que que faz com que a criança sinta sintomas de ansiedade? Ah, é por imaginar uma situação irreal que tem a chance. Olha que nem vai acontecer, mas que tem a chance de acontecer. Né? Então ela imagina que no dia seguinte, no primeiro dia de aula, a professora vai ser muito brava e vai bater com a régua na mesa dela. Então veja essa imaginação dela No No âmbito cognitivo, faz com que ela tenha. É sintomas de ansiedade. E aí, como que a gente trabalha, né? De maneira lúdica, de maneira divertida, né? Eu gosto de de registrar esses esses pensamentos, né, essas coisinhas que passam na cabeça por desenhos e uma maneira lúdica de de fazer com que a criança descarte esses pensamentos que tem pouquíssima chance de acontecer. É amassando o desenho, jogando no lixo. Olha que simples. Então, a criança dele, se ela está passando na cabeça dela a barata gigante lá que eu falei, ela rasga a barata gigante lá, faz óculos divertidos, ela faz, é patins na, na, na, nas Patinhas da barata, rasga e joga no lixo. Então ela dá um novo significado para aquele pensamento que estava causando ansiedade. Um outro, outro braço, né? Quando a gente tá falando de uma intervenção TCC, são os os aspectos fisiológicos, né? Então, técnica de respiração, que aí tem uma técnica famosa que a gente faz um barcozinho, coloca na barriguinha da criança com ela deitada, ensina ela a colocar o barquinho para cima e o barquinho para baixo, A partir de uma respiração ali diafragmática técnicas de relaxamento. Aí a gente entra com mindfulness. É hábitos saudáveis de sono, então explicar por que que a gente precisa dormir, o que que acontece com o nosso cérebro quando a gente dorme? Alimentação e exercício, tudo de maneira lúdica, né, com recursos ali que estão de acordo com o desenvolvimento da criança e um outro braço da TCC. Então falamos de um dos aspectos cognitivos, dos aspectos fisiológicos, é um aspecto comportamental, que que é isso? Então a gente cuidou do cognitivo dos pensamentos e cuidamos aqui. Zoológico o que que a gente vai fazer? A gente vai propor uma exposição, né? Então 11 criança vai ser exposta a situações que antes geravam. É sintomas ansiosos, mas de uma maneira gradual, né? Então, aos poucos, desenvolvendo também nela uma capacidade de resolução de problemas. Então veja se a professora se for chata mesmo, se ela falar em tom de voz alto, vamos. Pensar em 3 soluções que a gente pode fazer. Você pode procurar a diretora, você pode falar com um amiguinho ou você pode procurar uma outra tia da escola. Só de pensar nessa possibilidade, a criança já. Ufa, tem uma. Existe uma saída? Exatamente. Ela não fica se apegando aquele único pensamento e vai tomando uma força. Ela consegue ali dar uma, dar 11. Resolvida nesse problema, se vier a acontecer, né? Né? Então, outra técnica também dentro do do braço comportamental na TCC é o enfrentamento, né? Então trabalhar AA autoestima dessa criança a autoeficácia de que ela é capaz, né? Então tem atividades. Eu gosto muito de fazer uma, que é uma escadinha. Do do tanto que de coisas que a criança vai conquistando. Então eu construo junto com ela. Olha, você aprendeu a andar, você aprendeu a colocar sua, sua camiseta, você aprendeu a escovar o dente. Então cada Conquista é um degrauzinho e aí vai motivando ela a subir cada vez mais nesse degrau. E por que que é divertido? Porque é lúdico e é visual, né? Ela vê, aí a gente coloca uma fotinha dela subindo. Então isso impacta na autoestima, Na Na autoficácia dela, na imagem que ela tem de si mesma para ali se sentir capaz de enfrentar situações ali que antes geravam ansiedade. Perfeito. A Naiara me surgiu agora uma pergunta. Ela é uma pergunta até pra pra uma, pra uma utilidade pessoal. Como eu falei, né? A gente tem 11 caso aqui, né? Do meu enteado, vive com a gente aqui. E aquilo, né? Ele tem uma ansiedade que é essa do de não ter o que fazer, né? E em períodos de férias, isso é uma coisa que pesa muito e imagino que seja o caso para muitos pais e mães também, porque você precisa em sei lá, 18 horas do dia arrumar o que fazer, né? E a gente tem esse cuidado hoje em dia já, né, de ter um esclarecimento de que não dá. Não dá pra deixar na tela, que é um grande aliado, né? Realmente você conseguiria deixar o dia inteiro lá e aí você se livra desse problema. Como a gente não quer, então também a outra alternativa é ficar tendo 1000 atividades, né? É, e para isso, né? Como que quem tem uma criança com esse tipo de ansiedade do entediar, se é que que é possível fazer, né, sendo que a gente também não tem tempo para ficar sendo um cuidador 100% do tempo, né? Com certeza. Luiz, nós enquanto especialistas, né, no desenvolvimento infantil, que que a gente vai traduzir essa sua fala como qual inabilidade essa criança tem? Então muito provavelmente é uma criança que ela não sabe brincar sozinha, é uma criança que tem uma criatividade ali um pouco limitada, né? Ela não consegue expandir uma possibilidade dentro do contexto que ela tem. Então como que isso é construído? Desde uma organização de rotina. Então a criança na vida normal dela, né? Voltando as aulas, com o pai e mãe trabalhando, irmãos na escola, ela ter um momento de ócio, porque é esse momentinho, seja 2 horas no dia, 3 horas no dia, que a gente vai ensinando aos poucos para essa criança possíveis brincadeiras, projetos, né? Que possam ser criados e que possam servir de modelo para quando ela tiver um ócio maior, que é, por exemplo, as férias, né? Então, por exemplo, AI eu, eu tenho algumas. Algumas pacientes que adotaram agora Oo hobby de fazer pulseira não fazem pulseira EE dividem ali outros que fazem gibi, né? Então vejam, é um é uma elaboração do ócio, né? Então, acredito que em em férias é importante ter uma rotina, mas é importante também ensinar para essa criança que o ócio não é ruim. Ele é uma oportunidade para você criar, então. Abra o baú de de brinquedo da sua criança. Ajude ela a criar coisas, né? Ajude ela, por exemplo, criar uma maquete, né? Fazer coisas ali que ela possa se sentir engajada e feliz pela própria feitura dessas dessas tarefas. Que ela ocupe com qualidade esse tempo, né? E que não, não seria 11 inimigo do ócio. Sim, compartilhando, né? Com outros pais ou cuidadores, né? Aqui a gente funciona muito pra gente isso. A gente tem muita sorte que ele gosta de ler, né? Muito. Então ele bastante tempo ele fica lendo, mas resgatar coisas que às às vezes ele durante um tempo ficou entretido, aí depois aquilo nunca mais foi feito. No caso aqui eu lembro muito do lego, que para mim era uma coisa que eu ficava muito tempo quando eu era criança. Aí eu lembro que ele não liga, não ligou muito durante 11 período assim, Ah, ficou um pouco, mas logo se desinteressou aí. Tempos depois tava nessa, né? Tipo puts, tá? Teve que arrumar o que fazer aqui, porque entrou esse período de férias, Ah, vamos puxar o lego de volta. E aí acontece assim, fica horas ali uma coisa que em um momento não funcionou muito, agora tá funcionando, né? Então acho que vale a pena também pensar, tentar de novo coisas, né? Pode funcionar. Com certeza é brinquedos que na nossa época era maravilhosos peão, né? É desenhar amarelinha na rua, né? Coisas que resgatam a nossa. A nossa infância, então, engaja os pais a relembrar a infância. Eu sempre gosto de pais que tem essa esse engajamento com as crianças, porque até é é bom para eles, né? É terapêutico para eles e que promove ali Oo bem-estar da própria criança, né? Expande a criatividade dela. Naiara eu sempre deixo um último momento aqui para o profissional falar o que quiser, né? É, a gente tenta cobrir o máximo que seja útil para os ouvintes, mas sempre tem. O profissional é que sabe alguma coisa que pode não ter tido oportunidade de falar ou reforçar. Alguma dica que já foi dita que você acha que vale a pena, né? Enfim, é um momento para deixar uma mensagem final. Perfeito Luiz, eu acho que é uma mensagem que eu posso deixar para famílias ouvintes aqui. Do do entrementes é que nós precisamos olhar para infância com olhar genuíno e cuidadoso, né? Nós já fomos crianças, nós sabemos o quão difícil é compreender as coisas, é sentir as coisas na infância e na adolescência. É tudo muito, é tudo muito urgente, muito grave, né? Então, se a gente não tiver essa co regulação de um adulto, né, que ajude a gente a dar nome para as coisas, a direcionar as nossas angústias. Se a gente tem essa figura tão importante, com certeza a nossa vida adulta, a nossa Juventude, será melhor, saudável, melhor gerenciada e a gente se torna cada vez mais funcional e cada vez feliz da forma que a gente é, da forma que a gente lida com as os nossos próprios monstros. Ótimo inaiara. Você tem um Instagram, né? Em que você compartilha informações. É, pode deixar o seu @talvez o seu contato, se você quiser, né? Para quem quiser. Talvez falar com você depois do programa, né? Com certeza o meu Instagram é o @psicoparacriança e a criança sem o C cedilha mesmo porque o Instagram ele não não deixa e a clínica onde a gente atende fica aqui na zona sul de São Paulo é o Calmy com Y, então c-a-l-m-y,@calmyclinica. Então, acompanha a gente lá pelas redes, que é maravilhoso fazer parte desse mundo. Perfeito, Naiara. Mais uma vez, muito obrigado pela presença e por todas as informações que você deu. Eu que agradeço, Luiz, foi maravilhoso e espero que tenha ajudado muitas pessoas aí a compreender esse monstrinho que não é um monstrinho da ansiedade infantil. Boa parte, hoje, é da poeta e escritora Adélia Prado, no Roda Viva. Eu acho que é uma das coisas mais importantes na vida de uma pessoa. É encarado o sofrimento. Por isso que eu tenho muito medo de livro de autoajuda, porque ela quer desviar você daquilo que é importantíssimo de encarar. A primeira coisa é você mesmo. Você tem que dizer um sim para aquela situação, para aquela dor, né? Fugir de dor é uma coisa muito uma perda de tempo. Você encontra ela lá na esquina outra vez, né? E é possível a gente sofrer em paz, sabe? A coisa tá pegando fogo, mas você tá em paz. Isso é possível. Obrigado, pessoal, por terem ouvido mais esse episódio. Acho que o que fica de muito importante aí da nossa conversa é que as crianças têm uma outra forma, né? De de se expressar e de comunicar coisas. E cabe a nós e aprendendo a ler isso e encaminhar da melhor forma. Obrigado, pessoal. Continuem mandando sugestão de pauta. Principalmente ali, né? Na Na nossa mensagem pelo Instagram, que a gente gosta muito de ouvir o que vocês querem saber para ir atrás dos entrevistados e fazer o programa para vocês obrigadão gente até o próximo. O Entrementes é uma produção da baiock conteúdo tem roteiro e apresentação minhas Luiz Fujita, edição da Amanda Hatzyrah, coordenação geral da Tainã Damião e trilha sonora do Paulo Garfunkel, o nosso querido Magrão. Quem cuida das redes sociais é a Tainah Medeiros. Siga a gente no seu trocador de podcast favorito e dê sua avaliação que as estrelinhas são muito importantes para nós. Se inscreva no canal no YouTube que os episódios também vão para lá em vídeo. Siga também no Instagram @entrementespodcast e conversa com a gente por lá pelos comentários ou por mensagem. Um grande abraço e até o próximo episódio!